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Negro de fumo

  Gasolina, querosene, diesel, etanol. Com uma pitada de óleo e, claro, um belo vinho para acompanhar. O nobre reduzia seu lar ao negro de fumo, popularmente conhecido como carvão ou cinzas. Queimara tudo: cada foto, cada memória, seu quarto, seus pertences — restando apenas a roupa do corpo. E, com uma faca sobre a própria pele, cravara um lembrete eterno: a data em que decidiu que, a partir dali, não haveria mais retorno. Um contrato em sangue, jurando que faria tudo ao seu alcance para conquistar o que queria. E o que o jovem nobre buscava tanto assim, a ponto de ir tão longe? Você deve estar se perguntando. Por que alguém faria algo tão estúpido — alguns diriam que é loucura? Deve haver um bom motivo, certo? Na verdade, não. Era um nobre decadente, de uma família que já fora muito poderosa e agora era apenas uma sombra de seu passado. E, dentre toda a decepção que essa nova geração representava, ele conseguia se destacar — sendo o pior de todos. Não sabia lutar, não tin...

Reflexões

Oh, meu querido espelho, meu fiel confidente, aquele que preserva a verdade por meio das mentiras. Mentiras refletidas, limpas e bem penteadas, com um ar de virtude, talvez? Sim, aquelas mentiras que chamamos de prudência, maturidade e escolha. Diga-me, meu caro leitor, mas não te apresses, jamais! Quando te encaras, o que vês primeiro? O rosto? Ou a explicação pronta para ele? Quais mentiras seu reflexo revela? Migalhas de ambição, nomeadas propósito; fragmentos de amor, que exigem aplauso; e esperança. Esperança que só sobrevive, pois jamais foi testada. E o poder? Claro, o poder. Sempre disfarçado de necessidade. O que seu ego esconde, meu querido amigo? Tais são as reflexões. Não janelas, mas barreiras polidas, tão lustradas que as confundimos com identidade. Mas o espelho sabe. Claro que sabe. Sabe dos medos que chamamos de escolhas. Sabe do silêncio ocultado pela paz. Sabe da raiva ocultada pelo esforço. Oh, a verdade, ela jamais acu...