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Mostrando postagens de agosto, 2025

Meu querido amigo, Ego

Chamam o ego de vício, de veneno, de pecado. Querem reduzi-lo a vaidade pueril, a soberba que corrói. Mas não é isso. O ego é mais vasto, mais profundo, mais humano. O ego é a seiva que sobe pelas veias do espírito e o obriga a não se contentar. O ego é insatisfação. É a recusa em aceitar a vida morna, a rotina que se arrasta. É a força que olha para o comum e diz: “isso não basta”. Sem ele, o homem se acomoda no rebanho, apodrece no conforto, dissolve-se em anonimato. Com ele, o homem arde — e só quem arde pode iluminar. Há um instante decisivo que resume tudo. O jogo em seus segundos finais, a vitória suspensa no ar. Ao lado, o companheiro perfeito, mais forte, mais preciso, pronto para vencer em teu lugar. E tu, com a posse em tuas mãos, escutas a voz: “entrega, passa, garante”. Mas é o ego que se ergue, feroz, e grita: “arrisca”. E arriscas. Porque o triunfo herdado não é triunfo, é esmola. Porque preferes o fracasso verdadeiro à vitória emprestada. Porque a glória não se divide. E...

O Menino que Desejava as Estrelas

Era uma vez um menino. Tinha os pés na terra, mas o coração… em outro lugar. Era uma daquelas crianças que olham para cima não por curiosidade, mas por saudade de algo que ainda não viveram. Encantava-se com o céu como quem reencontra uma lembrança. As estrelas o fascinavam. E ele as observava como se, de algum modo, já pertencesse àquele lugar. Durante o dia, admirava o Sol com os olhos semicerrados, sentindo o calor na pele como uma promessa antiga. Durante a noite, se deitava no quintal, onde ninguém mais olhava para cima, e via nas estrelas um destino. Havia no seu silêncio uma certeza tranquila: Ele seria astronauta. E embora ninguém dissesse isso em voz alta, era fácil perceber. O jeito que ele estudava. A forma como treinava. A disciplina quase natural. Enquanto outras crianças sonhavam com castelos ou dragões, ele sonhava com um abraço eterno das estrelas. E não havia vaidade nisso — apenas desejo. Um desejo simples e puro de pertencer ao espaço. As pessoas à sua volta sorriam ...