Postagens

Mostrando postagens de janeiro, 2026

Reflexões

Oh, meu querido espelho, meu fiel confidente, aquele que preserva a verdade por meio das mentiras. Mentiras refletidas, limpas e bem penteadas, com um ar de virtude, talvez? Sim, aquelas mentiras que chamamos de prudência, maturidade e escolha. Diga-me, meu caro leitor, mas não te apresses, jamais! Quando te encaras, o que vês primeiro? O rosto? Ou a explicação pronta para ele? Quais mentiras seu reflexo revela? Migalhas de ambição, nomeadas propósito; fragmentos de amor, que exigem aplauso; e esperança. Esperança que só sobrevive, pois jamais foi testada. E o poder? Claro, o poder. Sempre disfarçado de necessidade. O que seu ego esconde, meu querido amigo? Tais são as reflexões. Não janelas, mas barreiras polidas, tão lustradas que as confundimos com identidade. Mas o espelho sabe. Claro que sabe. Sabe dos medos que chamamos de escolhas. Sabe do silêncio ocultado pela paz. Sabe da raiva ocultada pelo esforço. Oh, a verdade, ela jamais acu...

Vida

Sabe, eu mataria por alguns, morreria por poucos. Já viver… isso eu não planejava. Mesmo assim, vocês me deram essa vontade. Este ano, sim, esse maldito ano, foi um dos mais duros. Não no sentido grandioso da palavra, jamais, mas no honesto. Aquele em que a repetição me exaure mais que o choque. Perdi a conta de quantas vezes flertei com caminhos sem retorno, das vezes que as chamas da fúria transbordaram perante o silêncio, até porque gritar seria inútil. Na verdade, eu simplesmente desisti. E desistir tem um gosto específico. Não tristeza, nem sequer raiva, incrivelmente. É um esvaziamento doce, lento — na verdade, quase educado. Mas, ainda assim, algumas lascas sobreviveram. Teimosia, talvez? Ou raiva? Talvez porque, no meio de todo o entulho, a fortuna, essa entidade cínica, resolveu me conceder uma pequena pausinha. Um grande recomeço, sem promessas ou garantias. E sabe? Foi aí que meus caros leitores entraram. Não como salvação exatamente, mas como presença. Como simples risadas....