Reflexões
Oh, meu querido espelho,
meu fiel confidente,
aquele que preserva a verdade
por meio das mentiras.
Mentiras refletidas,
limpas e bem penteadas,
com um ar de virtude, talvez?
Sim, aquelas mentiras
que chamamos de prudência,
maturidade
e escolha.
Diga-me, meu caro leitor,
mas não te apresses, jamais!
Quando te encaras, o que vês primeiro?
O rosto?
Ou a explicação pronta para ele?
Quais mentiras
seu reflexo revela?
Migalhas de ambição, nomeadas propósito;
fragmentos de amor, que exigem aplauso;
e esperança.
Esperança que só sobrevive, pois jamais foi testada.
E o poder? Claro, o poder. Sempre disfarçado de necessidade.
O que seu ego esconde,
meu querido amigo?
Tais são as reflexões.
Não janelas,
mas barreiras polidas,
tão lustradas que as confundimos com identidade.
Mas o espelho sabe.
Claro que sabe.
Sabe dos medos que chamamos de escolhas.
Sabe do silêncio ocultado pela paz.
Sabe da raiva ocultada pelo esforço.
Oh, a verdade,
ela jamais acusa
nem absolve.
Apenas permanece.
Tu não temes o vidro, companheiro,
tampouco a imagem.
Temes o raro instante, tão obsceno e amedrontador, que percebes
que foste tu quem ensinou o espelho a mentir tão bem.
E, ainda assim, foram tais mentiras — e somente essas —
que tornaram a verdade suportável
Reflexões
Oh, meu querido espelho,
meu fiel confidente,
aquele que preserva a verdade
por meio das mentiras.
Mentiras refletidas,
limpas e bem penteadas,
com um ar de virtude, talvez?
Sim, aquelas mentiras
que chamamos de prudência,
maturidade
e escolha.
Diga-me, meu caro leitor,
mas não te apresses, jamais!
Quando te encaras, o que vês primeiro?
O rosto?
Ou a explicação pronta para ele?
Quais mentiras
seu reflexo revela?
Migalhas de ambição, nomeadas propósito;
fragmentos de amor, que exigem aplauso;
e esperança.
Esperança que só sobrevive, pois jamais foi testada.
E o poder? Claro, o poder. Sempre disfarçado de necessidade.
O que seu ego esconde,
meu querido amigo?
Tais são as reflexões.
Não janelas,
mas barreiras polidas,
tão lustradas que as confundimos com identidade.
Mas o espelho sabe.
Claro que sabe.
Sabe dos medos que chamamos de escolhas.
Sabe do silêncio ocultado pela paz.
Sabe da raiva ocultada pelo esforço.
Oh, a verdade,
ela jamais acusa
nem absolve.
Apenas permanece.
Tu não temes o vidro, companheiro,
tampouco a imagem.
Temes o raro instante, tão obsceno e amedrontador, que percebes
que foste tu quem ensinou o espelho a mentir tão bem.
E, ainda assim, foram tais mentiras — e somente essas —
que tornaram a verdade suportável
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