Vida

Sabe,

eu mataria por alguns,

morreria por poucos.

Já viver…

isso eu não planejava.

Mesmo assim, vocês me deram essa vontade.

Este ano, sim, esse maldito ano, foi um dos mais duros. Não no sentido grandioso da palavra, jamais, mas no honesto. Aquele em que a repetição me exaure mais que o choque.

Perdi a conta de quantas vezes flertei com caminhos sem retorno, das vezes que as chamas da fúria transbordaram perante o silêncio, até porque gritar seria inútil.

Na verdade, eu simplesmente desisti.

E desistir tem um gosto específico. Não tristeza, nem sequer raiva, incrivelmente. É um esvaziamento doce, lento — na verdade, quase educado.

Mas, ainda assim, algumas lascas sobreviveram.

Teimosia, talvez? Ou raiva? Talvez porque, no meio de todo o entulho, a fortuna, essa entidade cínica, resolveu me conceder uma pequena pausinha. Um grande recomeço, sem promessas ou garantias.

E sabe? Foi aí que meus caros leitores entraram.

Não como salvação exatamente, mas como presença. Como simples risadas. Como movimento. Algo simples, quase banal: a mera felicidade de vocês, o sorriso jogado ao vento, a forma despreocupada de existir.

E, estranhamente, isso bastava.

Bastava para conter as chamas. Acalmá-las.

Pela primeira vez, não senti vontade apenas de aguentar, mas sim de melhorar.

Talvez — palavra perigosa, eu sei — me curar? Não sei ao certo.

Não porque a dor passou, mas agora ela não parecia o único caminho.

O futuro? Incerto. Desconfio daqueles que sabem.

Mas sei que, por um breve intervalo, toquei em algo próximo da felicidade. Não limpa, não inteira, mas real.

E descobrir que ela pode ser alcançável muda tudo.

Então, por vocês, meus queridos amigos,

não escolhi nem matar nem morrer,

mas, enfim, viver

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